HOSPITAL DE COSMÓPOLIS - SAÚDE

Mulher espera há 1 ano investigação sobre assédio em atendimento que terminou com morte de feto
Moradora de Cosmópolis denunciou caso à Polícia Civil em maio de 2021


Victoria Trujillo que perdeu seu bebê no Hospital de Cosmópolis - Foto - G1 Piracicaba e Região

Mais um caso de assédio a uma gestante
A prisão do anestesista flagrado estuprando uma grávida durante o parto é mais um caso de violência obstétrica entre os que ocorrem todos os dias Brasil afora.

Moradora de Cosmópolis , Victoria Trujillo, denunciou caso à Polícia Civil em maio de 2021 e somente agora foi chamada para depor. Ela relata falhas no atendimento da Santa Casa e abuso por parte do médico enquanto sangrava e perdia o filho aos 8 meses de gestação.


A mulher denunciou negligência no atendimento médico em que perdeu seu bebê aos 8 meses de gestação e, sangrando e com fortes dores, diz ter sido vítima de assédio sexual pelo profissional que a atendia.

O caso ocorreu em abril de 2021 na Santa Casa de Misericórdia e foi denunciado à Polícia Civil em maio do mesmo ano. Ao G1, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP) informou que as investigações prosseguem para apurar os crimes de homicídio culposo e assédio sexual.

A vítima, Victoria Trujillo, de 26 anos, informou que mais de um ano após o registro da ocorrência, recebeu a ligação da delegacia marcando seu depoimento após o g1 solicitar posicionamento do caso à pasta.
"Demorou um ano para eles fazerem alguma coisa. Para eles se moverem para fazer alguma coisa. Agora que o médico vai dar depoimento. A justiça é demorada, mas creio em Deus que vai dar tudo certo. Que a justiça vai ser feita, até porque tenho provas, testemunhas do que aconteceu comigo. Confesso que não é fácil", diz.

Segundo a moradora de Cosmópolis, que atua como maquiadora profissional, tocar no assunto é desgastante emocionalmente, mas ela espera que sua história sirva para ajudar a mudar a realidade que muitas mulheres enfrentam.
"É muito duro ver o tempo passar e a justiça não ser feita. E com tudo que aconteceu essa semana (do anestesista), do caso que ganhou que repercussão, e isso mexem muito comigo. Positiva, porque pode ser que a justiça seja feita. E negativa, porque é muito difícil mexer nessa ferida".

Victoria destaca que tudo ocorreu em uma data marcante para a família. "Ele partiu no dia do aniversário do meu marido, papai dele. O 29 de abril nunca mais será como antes", avisa.

O caso
Victoria relata que estava no 8º mês da gestação quando começou a sentir fortes dores abdominais e, pensando serem contrações, procurou a emergência da Santa Casa de Misericórdia de Cosmópolis.
Ela conta que chegou na emergência por volta de 19h15 da noite de 29 de abril de 2021 e foi recebida por uma enfermeira, para a qual seu marido explicou o quadro, que naquele momento já indicava perda de líquido. Segundo a vítima informou no registro de boletim de ocorrência, não houve assistência, apenas orientação para que ela procurasse uma cadeira e aguardasse.

Passado um tempo e com a piora do quadro, Victoria lembra que voltou a pedir por ajuda, e teria recebido a informação de uma outra enfermeira que o local estaria lotado, e que seria melhor ela esperar na recepção, onde houve demora na triagem e na chamada, que ocorreu na companhia com outras duas gestantes.

"Relatei para a enfermeira que a dor era insuportável e ela não fez nada. Enquanto subíamos a rampa de acesso para a maternidade, andando, minha barriga foi endurecendo cada vez mais, e as dores se intensificando. Chegando lá, pediram para sentar no sofá, mas logo começou a hemorragia. As outras duas gestantes alertaram a enfermeira, e aí ela pediu para eu ir andando até a sala de atendimento com sangue escorrendo por minhas pernas e dores insuportáveis", detalha.

Segundo a maquiadora, apesar do quadro grave que se apresentava, a enfermeira pediu que ela tirasse a roupa, e logo depois chegou o médico, que perguntou o que estava ocorrendo. Ao informar ao profissional a demora no atendimento, ela disse à Polícia Civil ter ouvido dele que seria "prática comum da enfermeira esperar chegar mais grávidas para juntar e atender tudo de uma só vez".

A vítima lembra que após um exame de toque, em que o médico informou que ela não tinha dilatação, o médico foi avaliar os batimentos cardíacos do bebê, mas que não foram ouvidos. De acordo com Victoria, ao questionar o que estava ocorrendo, ela teria recebido a informação de que "iriam tentar novamente mais tarde, pois o equipamento era muito antigo".

Victoria conta que permaneceu sangrando por muito tempo, quando o médico retornou e disse que ela havia sofrido um descolamento da placenta e estaria tentando uma transferência para outra unidade SUS.

"Nesse momento as enfermeiras saíram da sala, pois a todo momento entravam e saiam sem dar assistência, e o médico ficou paralelo a minha barriga e começou a passar a mão sobre minha barriga e virilha. Naquele momento me senti enjoada e invadida, pois percebi o olhar dele sobre mim. Eu estava despida sobre a maca, gemendo de muita dor, e quando a enfermeira entrou na sala, ele fez o toque novamente", afirma.

A vítima informa que após o episódio, ela conseguiu falar com o marido e pediu para ele tirá-la de lá, porque o médico a estava assediando.
Depois, o marido de Victoria teria ouvido do mesmo médico para realmente levá-la do hospital se tivesse condições, "já que não havia equipamento de ultrassonografia e eles não conseguiam a transferência, e que o feto já estava morto".

Ainda segundo Victoria, a postura do médico mudou depois disso, e que ele teria percebido que ela identificou o abuso. "Ele se sentiu de certa forma aliviado de eu ter saído, a postura dele mudou da água para o vinho. Acredito que ele viu que minha postura mudou diante da situação".

Victoria diz que ao sair de Cosmópolis, procurou ajuda no Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (Caism) da Unicamp, já que ela corria risco de morte por conta da hemorragia. "Quando cheguei na Unicamp, disseram que foi um milagre eu estar viva. Houve muito tempo de hemorragia", diz.

A maquiadora continua os atendimentos no Caism, agora com acompanhamento psicológico.
"Antes tivesse vivido toda violência e tivesse meu filho comigo. Mas tenho meu marido, minha filha, é por ela que estou viva", diz.

O G1 procurou a Santa Casa de Misericórdia para comentar a denúncia e questionar se o hospital apurou o caso, tanto de assédio como falhas no atendimento da paciente, mas não obteve resposta até esta publicação. O texto será atualizado assim que a unidade médica se manifestar.

Publicado em 17/07/2022 no G1 Piracicaba e Região

Fica a pergunta:
Até quando o Prefeito fará vista grossa a estes casos de negligência no Hospital de Cosmópolis?



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