RECESSÃO - ECONOMIA

China sofre uma das piores recessões econômicas
Country Garden, maior imobiliária em vendas do país, registrou uma queda de pouco mais de 95% no lucro líquido


Vista panorâmica do centro financeiro da cidade - Foto - Wikipedia

A crise só aumentou nos últimos seis meses
A China registra uma das piores recessões de lucros. A política de "Covid zero" adotada no país e uma crise imobiliária afetaram diversas empresas. Quase 5 mil empresas chinesas localizadas em Pequim, Xangai e Shenzhen já divulgaram os resultados do primeiro semestre de 2022. Os dados são desastrosos.

Conforme a Wind and Choice, instituição de informações financeiras, pouco mais de 50% tiveram uma queda no lucro líquido (o verdadeiro lucro de uma empresa). Os números quase tão ruins quanto os de 2020, quando todas as empresas marcaram sua pior temporada nos negócios devido à pandemia de covid-19. Na época, quase 55% das instituições tiveram queda em seus lucros nos seis primeiros meses.

Contudo, o início deste ano parece ter sido pior. Cerca de 900 empresas reportaram prejuízo até o momento. Já em 2020, 780 perderam dinheiro. A queda nos lucros da segunda maior economia do mundo pode gerar estragos por todo o planeta. São as empresas chinesas que compram commodities, tecnologia e outros produtos em grande escala.

Alguns economistas culpam as rígidas restrições impostas ao país pela covid-19 e a crescente crise no mercado imobiliário chines. "As principais razões são as restrições de mobilidade e uma enorme queda no sentimento associada ao minguar do mercado imobiliário", explicou a economista Alicia García Herrero em entrevista à CNN Internacional.

Até o momento, a China manteve em tom firme a política de "covid-19". As restrições vão desde a circulação de pessoas até lockdowns instantâneos nas cidades. Até mesmo viajar até o país possui restrições.

O centro financeiro do país, Xangai, possui 25 milhões de habitantes e ficou sob lockdown durante dois meses no início de 2022. E não é somente a capital do país, na quinta-feira 1°, a cidade de Chengdu isolou pouco mais de 20 milhões de pessoas.
No segundo trimestre deste ano, o Produto Interno Bruto (PIB) da China cresceu somente 0,4%. Trata-se do desempenho mais fraco desde o início de 2020. Em 2021, diversos bancos de investimento diminuíram suas previsões para o crescimento econômico do país para 3%.

Os analistas do Nomura, seguradora financeira japonesa, também se mostraram preocupados com a atual situação da China em um relatório divulgado na sexta-feira 2.
"Se Pequim decidir começar a flexibilizar a política de 'covid zero' a partir de março de 2023, esperamos que a economia e os mercados passem por um período difícil", informou. "As pessoas ficarão desapontadas por não haver uma abertura real ou serão sobrecarregadas por uma crescente infecção de covid-19".

Quem perde mais
As empresas de tecnologia são as que mais sofrem com o mau desempenho do país. O segundo trimestre deste ano marcou o fim do crescimento para a Alibaba - multinacional chinesa de tecnologia. Já a Tencent (empresa de tecnologia e entretenimento), teve seu primeiro declínio trimestral nas vendas.

Para outros setores, 2022 é o pior ano, até o momento. As três maiores companhias aéreas da China (Air China, China Southern Airlines e China Eastern Airlines) marcaram recordes de perdas. O valor total chega a 50 bilhões de yuans (pouco mais de R$ 37 bilhões) no primeiro semestre. Todas culparam a diminuição de viagens pelas restrições da covid-19. Além disso, a moeda nacional, yuan, caiu quase 10% em relação ao dólar, este ano.

As imobiliárias também tiveram um dos piores desempenhos até o momento. O setor possui 30% do PIB nacional, e foi prejudicado por uma política do governo que conteve os empréstimos "Imprudentes" para essa indústria.

A crise só aumentou nos últimos seis meses, quando milhares de cidadãos insatisfeitos ameaçaram parar de pagar as hipotecas das casas inacabadas. Isso sacudiu o mercado e levou as empresas e autoridades a tomar outras medidas na tentativa de acabar com a crise. A Country Garden, maior imobiliária em vendas do país, registrou uma queda de pouco mais de 95% no lucro líquido nos primeiros seis meses.

Em comunicado, a empresa informou que foi "pressionada por forças além do seu controle, como o ressurgimento da pandemia em várias partes da China continental e clima extremo, que se juntaram com a desaceleração no setor imobiliário".



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